23.7.05

Quadragésimo Quinto - Parece Uma Pausa, Mas Não Deve Ser.

Eu me lembro que quando era pequeno, sonhava com guerra e ficava triste. Mas tudo bem, a gente cresce e supera os traumas que surgem. Beleza.
Mas não é possível deixar de notar o quanto a gente enxerga a gente mesmo nos outros, mesmo que nunca tenha falado de traumas, nem de guerra.
É muito escutar. Sou bom nisso. Escuto bem. Claro que algumas vezes eu pergunto "Ãh ?" ou "O quê ?", mas esse é o preço que se tem de pagar para usufruir do heavy metal perto dos tímpanos.
Tem gente que merece que os outros fiquem surdos. Não ser ouvido é um trauma muito fodônico de se resolver.
Boa noite.

22.7.05

Quadragésimo Quarto - Piada III.

O paraguaio chega, coloca o cara na parede e diz:
- Cabrón. Soy paraguayo. Estoy aqui para matarte.
- Para o quê ?
- Paraguayo.

Quadragésimo Segundo - Piada II.

O índio entra no Congresso.

- Eu só quero os meus direitos !
- E os esquerdos ?
- Ãh ?
- Vossa senhoria não gostaria de alguns esquerdos também, afinal vir lá da Amazônia só para pedir seus direitos parece um tanto quanto inócuo.
- Eu quero registrar que concordo com o que vossa senhoria acabou de dizer: esquerdos são essenciais.
- Não ! Mas peraí ! Eu não disse que esquerdos são essenciais ! O que eu quis dizer...Sugerir, na verdade, é que o companheiro imigrante...
- Ele também é um brasileiro !
- Eu concordo com vossa senhoria, mas se eu pudesse...
- Isso é discriminação contra o verdadeiro habitante deste país ! Vossa senhoria é racista !
- Mas nunca que eu fui discortês com o presente representante dos habitantes da floresta amazônica, vossa senhoria !
- Eles não moram numa floresta, senador ! Ao contrário do que vossa senhoria possa pensar, eles moram em casas construídas...
- Ocas ! Não são casas !
- Mas isso é outra história !
- Pois eu acho que é relevante !
- Mas, vossa senhoria, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa ! O debate se essas pessoas moram em casas ou ocas parece-me um tanto quanto longe do que eu queria expressar.
- Eu gostaria de pedir aos senhores senadores que escutassem a visita...
- Se nós resolvêssemos logo esse debate das casas e das ocas, daí poderíamos...
- Mas não tem debate !
- Como não ? Estamos debatendo agora mesmo !
- Não estamos debantendo isso, o que eu quero dizer...
- Pois eu sei o que vossa excelência vai falar...
- Vossa senhoria não pode roubar o direito de outrem de se expressar ! Isso é facismo !
- Vossa excelência, gostaria de registrar que nunca tive simpatia por qualquer tipo de regime nazista, neo-nazista, facista ou fundamentalista de qualquer sorte.
- Mas ninguém falou em fundamentalismo nesta casa...Até agora !
- O que vossa senhoria está insinuando ?!
- O que vossa senhoria sabe dos múltiplos atentados que estão ocorrendo no Reino Unido ?
- Inglaterra.
- Que seja !
- Vossa excelência ! Vossa senhoria acaba de quebrar o protocolo desta casa, faltando com o necessário decoro parlamentar ! Gostaria que houvesse algum tipo de ação da sua parte !
- A queixa de vossa senhoria está anotada e será processada pela mesa.
- E os atentados ?!
- Vossa excelência vai deixar que uma ação vilipendiosa e decrépita de tal sorte sorte passe impune ?! Eu não aceito isso ! De jeito nenhum ! Vou me retirar desta casa nesse momento e gostaria que meus companheiros me acompanhassem !
Daí, todos os senadores foram embora.
Fin.

Quadragésimo Primeiro - Piada I

Um homem entra num restaurante.
- Bom dia.
- Como ?
- Eu disse "bom dia."
- Por que ?
- Como assim "por que" ?
- Por que você disse "bom dia" ? Eu digo "bom dia". Eu sou a garçom.
- Garçonete.
- O quê ?
- Você é a garçonete.
- O que você quer dizer com isso ?
- Não, nada, é que...
- Então porque eu sou uma simples garçonete, tenho que aguentar seus bom dias ?! É isso que está tentando dizer, senhor "eu-vivo-corrigindo-as-pessoas" ?! Ãh ?!
- Eu acho melhor ir pra outro...
- Aaaah...Agora ele prefere ir pra outro ! Só porque a mucama não obedeceu a cada comando, ele tem que "ir pra outro" ! Pois o senhor pode ir chispando, ou eu chamo a polícia !
- Mas eu...
- Bom dia, senhor !
- Mas...
- Eu disse "BOM DIA" !

Daí, os agentes da Abin atacaram o estabelecimento achando que ocorria um ataque terrorista em pequena escala. Nenhum mulçumano ou pessoa de barba grossa e preta foi encontrada no local, mas quando os bombeiros perguntaram à garçonete se ela estava bem, ela respondeu:
- Estou bem são meus ovos, porra !
- Mas a senhorita não tem ov...
- O quê ?! Não tenho o quê ?! Ãh ?! ÃH ?!
- ...Lesões corporais ! Está intacta ! Beleza pura !
Em cinco minutos, todas as pessoas haviam deixado o local e a garçom foi atacada por um raio.
Fin.

Quadragésimo - Do Ato De Beber E Das Suas Consequências Giroscópicas.

Quando beber, não gire a cabeça muito rápido: você vai cair.

Quando beber, não se preocupe em andar batendo nas coisas: vai acontecer.

Quando beber, se lembre de quem você é e de onde você está: é fácil perder a noção de espaço.

Quando beber, beba perto de um local onde o mijo possa ser executado: você vai precisar.

Quando beber, beba junto de alguém: especialmente se você quebrou os óculos e está CEGO.

Quando beber, lembre-se de que sempre se pode msiturar algo com a vodca: só a vodca é álcool puro.

Quando beber, lembre-se de NÃO beber de uma vez qualquer bebida: a sua garganta irá ficar dormente e você não vai poder terminar a dose por um bom tempo.

Quando beber, lembre-se de que uma dose não é - repito "NÃO É" - um copinho pequeno: e maior do que aqueles copos de requeijão. Cuidado com as doses.

Quando beber, tente ficar sentado o máximo possível: vai não querer sair batendo nas coisas.

Quando beber, lembre-se de que BEBER É CARO.

Bom porre.

21.7.05

Trigésimo Nono - Deles, Que Merecem Tanto.

Eu nem sabia que existia esse "dia do amigo". Porra de frescura fresca.

Olh-á ! Quebrei meu óculos no mei-ô ! 120 contos pra consertar ! Olh-á !

Domingooo...LEEEEGAAAAAAL !

Para todos que merecem silêncio, agradecido por terem nascido e tentem demorar um pouquim pra morrer, would ya ?

Ah, putz fazia tanto tempo que eu não ia pra praia. Foi bom comer carangueijo novamente depois de eras. Tomar banho de mar. Ficar com marca de camisa. Foda.

Bom dias merecem silêncio. Eles também.

19.7.05

Trigésimo Oitavo - Daquilo Que Não Importa.

O mundo já tem problemas demais. Pra que os meus.

17.7.05

Trigésimo Sétimo - Dos Vícios.

Tô viciado em baixar álbuns inteiros pelo Soulseek.
Tô viciado em conversar pelo MSN.
Tô viciado nos meus amigos.
Tô viciado em assistir filmes com comentários.
Tô viciado em assistir os extras dos filmes.
Tô viciado em Naruto Adventure Hero 2.
Tô viciado na PIXAR e nos filmes da PIXAR.
Tô viciado em Heavy Metal.
Tô viciado em conversar com mulheres sem pudor.
Tô viciado em previews de qualquer coisa.
Tô viciado em Orkut.
Tô viciado em ficar sozinho em casa.
Tô viciado em passsar o dia dormindo.
Tô viciado - meu deus - em beijar e ser beijado.

16.7.05

Trigésimo Sexto - Aqui Dentro.

"Olha a poesia voando lá em cima !"
"Porra, tá muito alto ! Buceta !"
"Pula aí, macho. Dá pra alcançar !"
"Dá é porra ! Esse caralho tá muito longe !"
"Ah, então vai te fuder, macho !"
"Vai tu, seu porra !"
Fin.

15.7.05

Trigésimo Quinto - Vixe, morreu.

Morreu. Ah, mas não se preocupe, não, meu filho, que foi morte boa, bem morrida. Morreu pensando na vida, nos amores, nas crianças, naquele suco de laranja que tomava aqui em casa toda quarta-feira. Só coisa boa.
Ele estava deitado lá dentro, no quarto, quando pediu uma aguinha para mim. Claro, meu filho, nesse minuto. Chispei pra cozinha e enchi um copo com a água que tava no congelador - tinha colocado hoje de manhã, sei como ele gosta - e levei para ele. Ele bebeu até o final. Brigado, mãe. Shuu... Descansa, meu filho, descansa que amanhã a gente vai no centro fazer o mercantil do mês. Tá bom, mãe. Tá bem.
Daí, de manhã, o nojento amanheceu morto ! Ora mais ! Sem se despedir da mãe, isso lá é coisa que se faça ? Ah, mas eu não estou com raiva, não. Aquela criatura tava feliz, dava pra ver no nariz dele. Ele chamava "Mãe..." e abria e fechava as narinas - depois começava a rir, caia na gargalhada. Eu nunca gostei quando ele fazia isso, é muito estranho, parece que o nariz vai saltar fora, mas era só ele fazer isso que tava feliz.
Ah, meu deus desse céu lá em cima, como é bom a gente ter certeza das coisas, meu deus. É bom demais.
Mãe, vamos pra missa. O carro chegou.
Tô indo minha filha, tô indo agora.
Falando com quem ?
Nada não, minha filha. Conversa de velha.

13.7.05

Trigésimo Quarto - De Como Mário Quintana Era Um Sádico.

Velha História

Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. Até que apanhou um peixinho ! Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente, e tinha um azulado tão indescritível nas escamas, que o homem ficou com pena. e retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. Depois guardou-o no bolso traseiro das calças, para que o animalzinho sarasse no quente. E desde então, ficaram inseparáveis. Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava, a trote, que nem um cachorrinho. Pelas calçadas. Pelos elevadores. Pelo café. Como era tocante vê-los no "17" ! - o homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a xícara de fumegante moca, com a outra lendo o jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho, enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava laranjada por um canudinho especial...

Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado. E eis que os olhos do primeiro se encheram de lágrimas. E disse o homem ao peixinho:

"Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. Por que roubar-te por mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira ? Não, não e não ! Volta para o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste !..."

Dito isso, verteu copioso pranto e, desviando o rosto, atirou o peixinho n'água. E a água fez redemoinho, que foi serenando, serenando... até que o peixinho morreu afogado...

Mário Quintana

Trigésimo Terceiro - Do Papel Ofício De Escrever.

Ele é muito bom. Uma página em branco sempre é um bom lugar para começar a orgnizar as idéias. E elas - deus sabe - tem de ser organizadas.

O Rubem Alves disse "literatura é vagabundagem." Tem um autor de Teoria da Literatura - René Welleck - que escreveu - mais ou menos assim - que não se pode deixar de lado a parte brincalhona da literatura, mas também não se pode depreciar seu lado de ofício, de labuta, de processo criativo trabalhoso.

Isso tá no "Teoria da Literatura e Metodologia dos Estudos Literários" - título que, aliás, os autores consideram curto. É um cu.

Eu só consigo me lembrar de dois autores agora: A senhora Meireles e o Soares Feitosa. Ela, depois que publicava as poesias dela no jornal, não mexia mais. O Soares Feitosa, ele, escreve de inspiração, quase como o Chico Xavier. Psicografando.

E eu gosto dos dois. Então, o problema é com eles, que "não trabalham a poesia", ou é com o autor ? Ou é comigo, que leio os três e não entendo metade ?

Eu digo que é com o autor. Não leiam René Welleck. Não leiam Austin Warren. Leiam Terry Eagleton. Ele vale a pena.

12.7.05

Trigésimo Segundo - De mim, para você.

Eu quero agradecer por exisitirem pessoas por aí que são como eu.
Que quando começam a escrever, desembestam.
Que não sabem o quanto são felizes.
Que não sabem o quanto podem ser felizes se mudarem poucos hábitos.
Que tem medo. Muito medo.
Que tem nojo de coisas bonitinhas e fofinhas.
E que gostam de Metal !
Graças a Satan que existem pessoas assim como eu, que sou quase como você.
Só que um pouquinho melhor.

10.7.05

Trigésimo Primeiro - Fuderasaficamente fuderoso.

Fuderosófico. Fuderônico. Fuderávico. Fudásticular.
Playstation 2: 1.200 reais.
Naruto Adventure Hero 2: 35 reais.
Jogar sete horas seguidas até não conseguir mais mover os dedos: Não tem preço.

8.7.05

Trigésimo - De Como Ela Deixa De Ser E Como Ela Continua Sendo.

"Decepção
Nessa confluência de interesses
Âmago de desejos infundados
Rabiscos soltos na mente
Emaranhado novelo de lã
Envolve, enrosca, confunde
Contunde, embriaga, escarnece
Sangue feérico sem sabor
Droga alucinógena que
Não esclarece os sentidos
Os cinco desejos que são esquecidos
Escondidos e enterrados
Na loucura voluptuosa da raiva!
Rosto em chamas e
Peito em pedaços, no chão
Desejo de dizer sim
Vontade de cuspir não."
Rebeca Xavier
Saudade do tempo que eu poetava assim. Eu acho que dei o caderno pra alguém, mas a poesia imatura deve ficar imatura.
Quando eu via poesia antes, eu achava que os poetas eram bando de doidos boêmios, que passavam o dia voando, escrevendo sobre qualquer tampa de bueiro que viam na rua e saia algo poético.
Daí eu descobri que o Olavo Bilac era servidor público, que nem o meu pai.
Interessante como basta pouco pra gente não acreditar em alguma coisa.

6.7.05

Vigésimo Nono - Sangue Na Boca.

Ou "Tudo Que Sempre Quis Na Vida Foi Verdade."
Tudo que sempre quis na vida foi verdade, e algumas vezes até conseguiu, mas não foi o suficiente. Todas as verdades que já encontrara não eram tão reais quanto ele achava que seriam. Elas não tinham a lógica necessária ou o respaldo científico do qual precisava. Elas não eram as melhores, mais as aceitou assim mesmo, imperfeitas, como pessoa resignada que era.

Tudo na sua vida baseava-se no trinômio: resignação, adaptação e repressão, como qualquer boa alma adaptada á sociedade. Acordava, vivia, nunca se machucava: era precavido. Não havia cicatrizes, não havia marcas, não havia sinais, não havia resquícios daquela tarde em que caiu da bicicleta quando seu pai tirou as rodinhas e não lhe avisou. Ele nem se lembrava direito. Devia ser mentira, afinal não havia marcas para provar. Nada.

Tudo mais era branco. Tudo mais era branco demais. Tudo mais era branco demais para acordar. Tudo mais era branco demais para acordar e não se machucar. Resolveu se machucar. Sangue na boca, no travesseiro, no colchão, no chão. Nada.

5.7.05

Vigésimo Oitavo - Daquilo Que É Importante.

4 horas de Naruto Adventure Heroes 2 na Locadora/Lan House, meu caro. Só quem tem espírito de criança - que é melhor do que qualquer outro - aguenta. Jogo impossível de enjoar. Jogue, porra. Vá se divertir como se ainda fosse 1994.

4.7.05

Vigésimo Sétimo - Daquilo Que é Comprovado Empiricamente.

Falo muito palavrão.
Sou a melhor pessoa do mundo.
E faço bem às pessoas.

3.7.05

Vigésimo Sexto - Depois, meu caro, depois.

Depois do show: dor de pescoço, rouquidão e surdez.
Depois de acordar: Prova de português e conhecimentos gerais.
Depois de descer do Borges de Melo: RPG e McDuplo.

1.7.05

Vigésimo Quinto - De Como Jesus Era Um Cara Legal.

O cara só andava de galera.
O cara bebia vinho.
E ainda falava com as raparigas ?!
Gente fina.