10.1.07

Na verdade, todos os versos são uma desculpa pra chegar no último, que não é meu.

A mulher subiu a saia vermelha,
pegou a bolsa vermelha;
a calcinha vermelha;
as luvas vermelhas
e o batom vermelho.

Não me disse até mais,
nem obrigado,
nem volte sempre,
nem vai te fuder, seu pervertido suburbano:

ficou perdida pelas esquinas luminosas,
pelos carros importados.
Ou usados.

Fiquei no chão,
com o braço direito dormente,
a coxa direita com câibra;
fedendo a sexo,
olhando o quarto minguante pela janela semicerrada:

perdido entre o orgasmo e o sono;
entre meus reais ausentes
e o pagamento do motel;
enfim:
entreanoitequevaieodiaquevem.

8.1.07

Meu lado nérdico.


Depois de aeons acompanhando Megatokyo, finalmente parece que o relacionamento da Nanasawa com o Piro vai engrenar. Para quem não conhece a webcomic, uma previazinha logo aí em cima.

6.1.07

Nunca mais, pense. Só conversando, só conversando, isso e aquilo, nada demais, nada demais, sabe? Quatro besteiras e a gente nem se toca, nem percebe e a língua dela abrindo caminhos na minha nuca; os dentes procurando tesão no meu pescoço, com força, mordendo cada nervo, sem atenção, sem covardia, sem vergonha, sem controle, tudo à noite, de noite, fora da batida da música, seguindo o baixo do funk que começou a tocar, um beijo, outro, pelo lóbulo da orelha, ela tem cócegas no ouvido, não me lembro e assopro. Ela ri, eu rio e dançamos de novo e novamente outra vez.

Aqui dentro tem cachorro bravo

Cuidado: Cachorro Bravo.

Leu de novo: Cuidado. Cachorro. Bravo. Bravo. Cachorro. Cuidado.

Intrigou-se. Não havia cachorro bravo com o qual deveria tomar cuidado. Nem no quintal, ou dentro da casa, ou aos pés de alguém se balançando na cadeira de balançar, para lá e para cá. Nada. Só o aviso. Cuidado, meu caro, que aqui dentro tem um cachorro muito bravo! Olhou de novo. Zero, só o cuidado cachorro bravo. Mas não tinha cachorro, e nem ele era bravo. Talvez nem aviso tivesse, no final das contas.

Então piscou os olhos, coçou a nuca, e quando despiscou e descoçou, tinha quatro patas, um belo pêlo marrom, caninos afiados e era bem bravo.

4.1.07

- Tá lá, mãe. O pc. Vai usar?
- Vou nada, Lara: vou dormir.
- Mas por que? A senhora num queria o pc?
- Quero mais não. Tô com sono.
- Mas por que?
- Porque ora, não quero mais.
- Mas eu já fechei as coisas lá, pra senhora usar.
- Mas se eu fosse usar, não era pra ter fechado.
- Eu fechei a net, mãe.
- Eu ia usar justamente a net.
- Era só logar de novo, grande merda.
- Não quero mais o computador: pode usar.
- Mas por que?
O pai se intromete:
- Porque ela não quer mais, Lara, ora! E feche essa luz!
- A senhora tem certeza?
- Tenho. Feche a luz.
- Tá bom. Não diga que eu não colaborei depois.

E a menina Lara retornou ao seu papinho madrugal pela net relogada.

The End.

1.1.07

Primeiro post do ano


Este é o primeiro post do ano; aqui, você não encontrará resoluções de ano-novo, nem instruções sobre como viver a sua vida em dois mil e sete: aqui, você encontrará o primeiro post do ano. E todas as outras coisas que você quiser encontrar aqui, além do primeiro post do ano.

Mas isso não importa. Não importa que aqui você encontrará o primeiro post do ano, e todas as outras que você quiser encontrar, além do primeiro post do ano; não importa se você não se encontrar aqui, ou em outro lugar; também não importa se você não encontrar aqui o primeiro post do ano: o que importa é que você tem que se decidir, you've got to let me know, should I stay or should I go?

23.12.06

Três temas, dois meus.

Verbalismo. Não me encontro nos atos. Sou pálida, estática, um espelho, um lago sem vento. Estou nas palavras, é lá que vivo, respiro, faço a minha parte.

Palavra. Não me vejo na carne; transparente, me confudo no reflexo da lua cheia. Meu sangue são versos inacabados: é nele que sinto, que me sinto real.

Solidão. Sou um lobo noturno, silencioso, deslocado. Sinto o cheiro de sangue, largo-me aos instintos, caço minha presa, arranco-lhe a pele do pescoço, vampirizo-lhe. Faço minha parte.

21.12.06

20.12.06

Dessa vez

O natal cai numa segunda-feira, quarto dia de capricórnio e a lua está nova.

17.12.06

We would sing and dance around
because we know we can't be found

8.12.06

Costumo dizer que ela me queixou com um cigarro. Esse negócio de cigarro existe pra testar os fracos.

20.11.06

A palavra silêncio é um paradoxo; silêncio não é silêncio, silêncio é outra coisa. Silêncio é ciência. Silêncio é silêncio, meu povo.

18.10.06

O que vai acontecer com as crianças desse mundo.

5.10.06

Uma bebida e um amor sem gelo, por favor.

3.10.06

O mais difícil é o dia-a-dia.

20.9.06

And yet, one must wander what kind of strength it takes to give up what you want more than anything -- to avoid becoming the thing you hate the most.

10.9.06

- Que vai ocorrer amanhã?
- Não me ocorre nada.

1.9.06

Enough is enough!

Caio.

ma.ri.nho adj. Relativo ao mar, ou que o habita ou dele provém; marítimo.

ri.bei.ro sm. Rio pequeno; córrego; regato, riacho.
África.

Ele disse que ia curar todo mundo. Ele disse que ia curar todos. Acreditem, e conseguirei, ele disse. Tenham fé, ele disse, tenham fé em mim, e conseguirei, ele disse. Ele disse que ia andar sobre as águas, ele disse. Ele disse que ia nos curar a todos, ele disse. Ele falou da visão que tivera, da cura que lhe fora dada de presente, como antes, ele disse. Ele disse, ele prometeu que ia andar sobre as águas salgadas da praia, ele prometeu. Ele me disse que ia voltar, ele disse. Ele me prometeu que ia voltar. Ele me olhou nos olhos, beijou minha testa e foi-se embora, sem cura, sem volta.