31.8.05

Nonagésimo Nono - Do Meu Dia.

Fiz a restauração dos meus dentes. Tirei o tártaro dum dente lá de trás. Vi o meu amor. Peguei minha carteira de estudante de volta. Entreguei a carta pro meu amor. Baixei o "Balls To Picasso", do Bruce Dickinson todim. Ah, e tomei o ovomaltine do Bob's. At last. Tardo, mas não falho.

Beijos.

30.8.05

Nonagésimo Oitavo - Das Roupas.

Não posso, terminantemente, de maneira nenhuma, sair de casa - aliás, nem em casa mesmo - vestir alguma roupa clara. Não sou eu. Me sinto mal, descolado dentro do meu corpo, é nojento. Deus me livre. Nunca mais coloco uma camisa azul clara e um calção marrom.

Ah, e calções também não são comigo. Prefiro calças longas e sapatos. Por mim, eu andava todo fechado. E com o cabelo arrumado. E a barba tirada.

Tenho que mudar meu perfil no orkut. Lá tem "Aparência: atraente." Onde, céus, eu estava com a cabeça ?

29.8.05

Nonagésimo Sétimo - Pelo Prazer Das Epígrafes.

Todas do meu xará, Caio Fernando Abreu.

"Sexo é na cabeça: você não consegue nunca. Sexo é só na imaginação. Você goza com aquilo que imagina que te dá o gozo, não com uma pessoa real, entendeu? Você goza sempre com o que tá na sua cabeça, não com quem tá na cama. Sexo é mentira, sexo é loucura, sexo é sozinho, boy."

"Todo esse pessoal da preto e cabelo arrepiadinho sorri pra você porque você é igual a eles. Se pintar uma festa, te dão um toque, mesmo sem te conhecer. Isso é rodar na roda, meu bem."

"Essa roda girando girando sem parar. Olha bem: quem roda nela? As mocinhas que querem casar, os mocinhos a fim de grana pra comprar um carro, os executivozinhos a fim de poder e dólares, os casais de saco cheio um do outro, mas segurando umas. Estar fora da roda é não segurar nenhuma, não querer nada."

"A gente teve uma hora que parecia que ia dar certo. Ia dar, ia dar. sabe quando vai dar? Pra vocês, nem isso. A gente teve a ilusão, mas vocês chegaram depois que mataram a ilusão da gente. Tava tudo morto quando você nasceu, boy, e eu já era puta velha."

"Dá minha jaqueta, boy, que faz um puta frio lá fora e quando chega essa hora da noite eu me desencanto. Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada."

http://caio.itgo.com/

Nonagésimo Sexto - Faça O Que Eu Digo, Não Faça O Que Eu Faço.

Lembrem-se, crianças:

"Antes de P e B, usem sempre M."

Nonagésimo Quinto - Deles.

Deve funcionar desse jeito: quem tem muitos amigos...Hum...

Eu simplesmente não entendo as pessoas que tem muitos amigos.

Eu tenho poucos. Deve ser a minha preguiça de socializar. Tenho menos ainda o que me veriam chorando. Menos ainda os que eu permitiria me verem chorando.

Reclamo para muitos. Me importo de reclamar para poucos. Fico de triste de reclamar para menos ainda.

Eu tenho amigos que gostam de mim. Tenho amigos com o senso de humor parecido com o meu. Tem outros que riem de coisas que eu não entendo. Tem outros que contam piadas muito grandes. Tem alguns que eu gosto de só ouvir ele falando e me deliciar, como um sorvete da Kibon.

Tem amigos que eu gosto de ter por perto. Tem amigos que eu faço questão que estejam comigo em alguns lugares. Somente um eu quero todo tempo, o tempo todo.

Não tenho irmãos de sangue. Cresci com meus primos. São meus irmãos. Não sei muita coisa sobre a vida dos meus amigos ou dos meus irmãos. Nem faço questão. Deveria fazer, mas - novamente - bate a minha preguiça de socialização. Isso já fechou e ainda vai fechar muitas portas pra mim.

Eu fico muito triste em não ter conhecido alguns amigos antes. Muito triste mesmo. São pessoas fantásticas, meu deus do céu e heaven ! Tem gente que merece ser amigo de todo mundo ! E deve ! Eu sou pessoa de poucos amigos: sou egocêntrico, sou sério, não sei conversar, não faço questão de conversar, gosto de silêncio, gosto de ler, gosto de escrever - tudo atividades solitárias. Gosto de acordar cedo, não faço questão de me alimentar bem, tenho cintura de mulher, beijo meus amigos, abraço eles - os que gostam e deixam - faço massagens horríveis, não sei dar conselhos e se começar a falar de mim, desenbesto, como agora. Desculpem.

Eu quero meus amigos, poucos. Se forem muitos, não vou saber organizá-los. Quero todos dentro da minha vida, que não é lá essas coisas de complicada. O nó tá em mim.

"O inferno são os outros."

Jean-Paul Sartre

São não, João. São não: São a gente. Eu e tu. Admite logo, daí mesmo do Além.

Beijos.

Nonagésimo Quarto - Por Mim, Eu Vivia Deitado Numa Rede.

Sempre que o escritor não tem nada para dizer, ele faz um metatexto.

Mas nem isso eu tô com saco de fazer.

Por mim, eu vivia de amor. Passava o dia no ócio, nem filosofar eu filosofava. Num estudava - só linguística textual - num fazia poesia: preguiça de escrever.

Eu queria viver numa rede, na praia. Na minha praia, é sempre de noite e o mar tá todo tempo tempo quebrando lá looonge. E o vento quando em vez sopra a rede pra lá e pra cá. E eu empurro com a ponta do pé o chão pra me balançar. Balançar eu e meu amor dentro da rede.

Não pode faltar o meu amor, óbvio: está mais do que implícito. É uma qualidade latente do meu ser já. Um dos pontos mais sub-reptícios da minha existência é meu amor e o meu amor.

Tem água potável - gelada e misturada - tem comida saudável, tem um bocado de porcaria pra comer. Tem amigos. Tem areia. Tem bebês fazendo caretas legais. Tem poetas, mas não sei se teria coragem suficiente pra apanhar algum escrito e ler: prefiro amar. Por mim, vivia de amor.
Por mim, vivia só eu e meu amor, vivendo de amor.

So good to be in love.
So good to love someone.
So good to be loved.
So good to just love.

28.8.05

Nonagésimo Terceiro - So Lick My Butt And Suck On My Balls !

McDonald's, fuck yeah !
Wal-Mart, fuck yeah !
The Gap, fuck yeah !
Baseball, fuck yeah !
NFL, fuck yeah !
Rock And Roll, fuck yeah !
The Internet, fuck yeah !
Slavery, fuck yeah !
Starbuck, fuck yeah !
Disneyworld, fuck yeah !
Porno, fuck yeah !
Valium, fuck yeah !
Reeboks, fuck yeah !
Fake Tits, fuck yeah !
Sushi, fuck yeah !
Taco Bell, fuck yeah !
Rodeos, fuck yeah !
Bed Bath And Beyond, fuck yeah !
Liberty, fuck yeah !
White Slips, fuck yeah !
The Alamo, fuck yeah !
Band-aids, fuck yeah !
Las Vegas, fuck yeah !
Christmas, fuck yeah !
Immigrants, fuck yeah !
Poppeye, fuck yeah !
Democrats, fuck yeah !
Republicans, fuck yeah !

27.8.05

Nonagésimo Segundo - Artur Eduardo Benevides.

É oficial: estou viciado no poeta nordestino do título. Bicho fuderônico de mais de bom de metro. Ó só a terceira parte - minha preferida até agora - do "Da Poesia" dele.

"3.

Todo poema é triste. E sobreexiste
para que os plenilúnios banhem os infortúnios
e Dionisos recrie perdidos paraísos
ou o inesperado
não doa qual visão da sombra do enforcado."

A poesia prepara a gente pra vida.
A poesia conforta a vida da gente.
A poesia ativa o nosso conhecimento declarativo, e lembre a gente daquilo que ainda não foi.

Besos.

Nonagésimo Primeiro - Fala, Garcia Lorca.

Diz que chegaram pro Federico Garcia Lorca - que eu ainda nunca li - e pediram pra ele falar de poesia. Ele estendeu as duas mãos abertas e soltou:

"Yo no puedo, yo no sé hablar sobre poesia.
Yo la tengo aqui en mis manos, sé que está
Quemando mi piel, pero no lo sé o que és."

Nonagésimo - Das Comunidades No Orkut.

Saí de um mói das minhas comunidades no orkut. Sou uma pessoa organizada.

Se deus deixar, vou ser um excelente professor de português.
Se o meu amor deixar, vou continuar amando o meu amor.

Beijos, peoples.
Beijos.

25.8.05

Octogésimo Nono - Bem Me Queres.

O Drummond falou da terra dele. Sei pra quê. Num gosto nem um pouco da minha cidade, nem do meu estado, nem do meu país.

O povo é gente fina.

.^.^.

Ah ! E Caio = Poetry, music and some laughs.

24.8.05

Octogésimo Oitavo - Me Perdoem.

Desculpem, eu não sei o que faço reclamando, tendo alguém pra me abraçar. Desculpem.

Octogésimo Sexto - Sai De Mim, Eu Mesmo.

Eu não quero mais eu mesmo.
Eu quero uma lágrima, mas não a minha.
Eu quero um desejo, mas não o meu.
Eu quero uma música, mas não sobre mim.
Eu não me quero mais.
Eu me conformo.
Eu me resigno.
Eu só falo de mim.
Eu só falo daquilo que eu sei.
Eu sou covarde.
Não me quero mais. Não pra mim.
Não me desejo pra ninguém.
Deus me livre de mim.
Por favor.

Octogésimo Quinto - Saiam, Saiam ! Corram ! Salvem Suas Almas !

Eu não sei pra quê eu escrevo. Perder tempo me lendo e perder o tempo - pouco tempo - que se tem pra ler o Pessoa, o Rubem Alves, o Airton Monte, a Cecilinha, o Drummond, a Hilda Hilst, o Soares Feitosa, o Manoel - Manel ! - Bandeira, meu povo.

Parem de me ler, por obséquio. Para o bem de vocês. Vão fazer algo com as suas vistas, melhor que gastar em mim que não falo de amor como o Drummond, que não tenho a poesia didática do Rubem Alves, que não tenho o leveza do Airton Monte, não tenho a habilidade poética nem o exercício da prática de nenhum deles. Não sou poeta, acima de tudo. Só quero ser. Não tenho qualquer coisa da Hilda em mim, não tenho os maravilhosos surtos de inspiração do Soares e não vou nem falar do Manoel. Nem do Pessoa.

Deus livre vocês das minhas palavras. Deus sabe que não vou parar de escrever aqui: corro perigo de surtar ou ter um AVC, que deus me livre. Então corram, meus caros, corram, vocês que me lêem ! Corram para os garanhões ! Não precisam de um jumento batizado quando se tem um cavalo de corrida profissional, bem tratado, de raça, bons dentes !

Por tudo que é mais sagrado ! Ainda estás aqui, criatura ! Vai-te embora ! Vai de ré ! Vai ler, vai estudar, vai ver um filme, vai se masturbar, vai masturbar alguém, vai transar, vai fumar, vai beber, vai usar drogas, vai fazer um fanzine, vai acreditar em ti que é o melhor que tu faz ! Subescrita deve morrer ilegida. E eu nem sei se essa palavra existe.

Octogésimo Quarto - Dos Meus Desejos.

Eu não quero mais minha
angústia
que eu não sei de onde vem.

Eu quero a minha saudade - aquela ausência que está em mim.
Eu sei de onde ela vem,
E dou graças aos céus por ter
saudade
e ser capaz de sentir
saudade.

Eu não quero minha raiva: dá úlcera.
Eu não quero fazer prova: quem precisa saber se eu sei sou somente eu mesmo.

Eu quero não precisar reclamar: ouvido dos outros não é penico pra eu urinar minhas reclamações.

Eu quero um abraço.
Bem fortão.
Pra apertar pra fora a minha angústia besta.

Eu quero escrever poesia,
Mas não poesia pra extravasar.
Verbalizar minhas preocupações eu verbalizo em outro canto.
A minha poesia eu quero que seja
boa e gostosa
De ler.
Como é a do Rubem Alves,
Do Drummond,
Do Pessoa e
Da Cecilinha.
E ainda o Airton Monte.
Eu quero tanta coisa, meu deus.
Tanta coisa.
Não queria querer tanta coisa,
Desejar demais é viver de menos, infelizmente.
Olha aí: melancolia já apareceu.
Esquece isso: desejar demais é ter motivos para viver.
E viver é
Bom.
Bom demais.
Os mortos que me perdoem,
Mas viveza é essencial.
E poesia idem.

Octogésimo Terceiro - Conclusões.

Eu odeio a UECE.
Eu odeio os professores da UECE, menos a Jesus.
Eu odeio a administração da UECE.
Eu odeio a administração do CH.
Eu odeio meu curso de Letras.
Eu odeio quem cagou o pau no meu curso de Letras.
Eu odeio quem diz que o meu curso de Letras é bom.
Eu odeio a coordenação do meu curso de Letras.
Eu odeio quem gosta do meu curso de Letras.
Eu sempre vou levar uma marca de ódio, cólera e ressentimento pela Teoria da Literatura.
Eu sempre vou sentir o mais belo e profundo ódio pelo meu professor de Teoria da Literatura.

Enfim, eu devia ter feito UFC.
E eu odeio quem me diz que me avisou.

Vão todos se fuderem e me deixem só com meus botões e meu amor. Tudo que me importa. Ah, e deus também.

23.8.05

Octogésimo Segundo - Prostituta Linguística.

Puta que porra. Vou ter que me transvestir de prostituta linguística pra passar. Vão se fuder todos os fukcing professores universitários.

Eat my shit.

01. Conceito de "mimese" em Platão e Aristóteles.

Aí, pegando TUDO que os dois filósofos falaram sobre a mimese - segundo o professor que não sabe NADA de filosofia - Platão falou sobre seu conceito que dividia o universo em mundo sensível e mundo das idéias. Este mundo das idéias é onde estavam os ARQUÉTIPOS - termo JUNGIANO, PEOPLE ! PLATÃO NUNCA FALOU EM ARQUÉTIPOS ! - que seriam os objetos reais, enquanto que, no mundo sensível, existiriam apenas as imagens falsas, as projeções, como num espelho. As imitações das verdadeiras coisas do mundo das idéias. Platão falou - again, segundo o professor que é burro e não sabe ensinar - que a Arte é uma mentira, porque ela é imitação das imitações do mundo das idéias.

Aristóteles, ao contrário, dizia que o artista, através de uma técnica, representava, e não imitava, a realidade. O filósofo, além deste conceito de mimese, trabalhou com a idéia de catarse. Compreendia-a como a purgação, a limpeza da alma, após o sujeito ter ido ao teatro e assistido uma peça trágica, onde ele sentia medo - pelo que acontecia no palco, pelas situações temerosas que se apresentavam - e alívio, já que podia ver seus sentimentos serem externalizados pelos atores. A catarse seria esse alívio, que seria uma das características do pensamento aristotélico.

Pronto. Falei, falei e não disse nada. "Falou em Aristóteles, você tem que falar em catarse !" Vá se foder, porra ! A questão não pede isso !

Affe, tenho paciência de postar as outras respostas não. Vá se foder.

E LEITOR DÁ SENTIDO AO FUCKING TEXTO, PORRA ! VAI LER UM LIVRO INTEIRO !

Octogésimo Primeiro - Algo De Eu.

Mais uma coisa sobre mim: sou consistente e gosto de ler cartas.

Beijos.

21.8.05

Octogésimo - Me Desculpem.

Eu nunca comi/bebi Ovomaltine.
Nem sabia que isso existia.

O que é, afinal ? É tipo um mousse ? É assim que se escreve múci ?

Num sei onde vende.
Sei que tem gosto de chocolate.

Septuagésimo Nono - Poeta Criança.

A poesia não pode ser levada a sério. Agora eu me toquei. O Drummond falava que ela tinha que ser trabalhada. Sim, mas não levada a sério. Você não vai se matar pela poesia.

Aliás, até vai. É uma forma - uma das grandes - de expressar seu amor por algo: dar sua vida. Morrer por um ideal é muito bonito, ainda mais se for pra morrer pela poesia.

Mas poesia não é trabalho. Poesia não se paga pra fazer, poeta não é proletariado, o trabalho não é alienado. Deus nos livre e guarde de ser ! Deus me livre de algum dia receber pra fazer poesia ! Receber pela poesia, tudo bem. Dinheiro é dinheiro. Agora, receber para produzir poesia, nã. Me desculpe. Dinheiro não vale a minha alma.

Alma de poeta ainda. Poeta criança. Que poeta pouco.

Alma de poetisa é melhor. A mulher sempre sabe falar melhor o que o homem não sabe articular através desse sistema de signos do Saussure.