11.7.07

babylon

groan: gemido; suspiro; mugido; berro

"Gemido" e "berro" juntos? Djabéisso?

7.7.07

meu segundo assalto

Diz que estávamos eu e amigo meu a ir para nossas casas depois de uma tarde de RPG. Subindo a rua, uma criatura ultrapassa-nos pedalando sua bicicleta e, determinada hora, pára. Após mais alguns passos, aproximamo-nos dele:

"Tu vai, tu fica, viu, fela da puta, viu? Tu vai e tu fica." - eu ficava, meu amigo ia.

Eu nem tinha atinado pra situação, só quando o cabra da bicicleta disse:

"Ei, tô falando contigo, cara, ei, tô falando contigo!" - Aí eu olhei, e vi meu amigo já atravessando a rua. "Aí, mano, só quero o celular e o dinheiro, tá ligado, só o celular e o dinheiro!" Ah, um assalto. "Tu num corre não, hein, cara! Num corre não, senão eu atiro nele, hein, num corre não!"

Ele tinha os olhos arregalados e ofegantes. Resignado, já havia enfiado a mão no bolso pra entregar o celular, quando dei uma bisoiada nas vestes do meu assaltante: camisa de time, calção apertado e preto; uma das mãos apontando pra mim, a outra no guidom da bicicleta. Aparentemente, sem nenhuma saliência que escondesse uma arma. Sem a menor vontade de entregar meus haveres a outrem, indaguei, todo-me-tremendo:

"Cadê essa arma, cara?"

Ele parou um momento. E disse:

"Pode ir, cara! Foi só um aviso, viu, playboyzim! Vai lá, vai! Te pego depois, fela da puta!"

E eu fui-me, de volta para casa. De celular e com o um real na carteira.

2.7.07

Arrumei minha pasta de favoritos: agora tem mais pastas e menos sites avulsos. "E daí?" - pergunta alguém. (Talvez a minha vozinha de dentro.)

É um passo primeiro para eu arrumar a minha vida.

29.6.07

Muitas pessoas vivem para o amor e a admiração, mas era pelo amor e pela admiração que deveríamos viver. Se alguém nos demonstrasse amor, deveríamos reconhecer que não somos dignos dele. Nenhuma pessoa é digna de ser amada.

***

Pode ter, de ocasião, o atrativo de um novo molho ou de uma colheita especial, mas os restos de um banquete apodrecem e os fundos das garrafas são amargos.

20.6.07

dez contos de dez palavras

O controle remoto, desleixado na cozinha, e a televisão chiando. // Um nome só afastaria o silêncio da beleza dela, cara. // Socou-o com toda a força para expelir o pedaço de frango. // Silvana soprou cinco besteiras no ar e ouviu um silvo sincero. // Fecharam a janela para impedir que seu último suspiro escapulisse. // Meu amor antigo jaz morto junto com meus óculos escuros. // Aquilo que não te matar, Bernardo, vai te fuder. // Bernardo quase que escapou do acidente que estava para fudê-lo. // Havia somente um lugar onde poderiam ter esquecido as passagens. // Para ser boa, nem toda estória precisa começar e terminar.

13.6.07

bom mesmo é licença pra falar da gente mesmo.

silêncio

Pode ser o abrigo dos secos de palavras, das carnes sem sangue, dos olhos sem humor vítreo, dos fetos sem placenta, dos pré-molares sem arcada dentária, dos blogueiros que já postaram todo dia e agora já cansaram.

Pode ser também a desculpa dos preguiçosos: lirismo tem limite.

10.6.07

I wanna go away.

Just a little bit. For a little while.

4.6.07

Pela puta que pariu

Bem, bem: lá se vamos nós: de novo.

19.5.07

- Ei, mulher, o povo do gueto mandou avisar que vai rolar a festa.
- Pois eu tô nem aí.

10.5.07

Mister Sun, don't you take away my Virginia-a

6.5.07

Ninguém esperava uma confrontação entre o Sol e a Lua, mas aconteceu que, certa vez, ambos reuniram-se no topo de um prédio, cobertos pelo céu roxo arroxeado; ele vestia-se com uma toga vermelha a cobrir-lhe metade do torso; e ela de terno, olhos e cabelos negros que preenchiam toda a extensão da cobertura do edifício. O Sol sorriu e olhou para a Lua, que detinha-se de pé, os braços retos e imóveis ao lado do corpo, o rosto inescrutável.

- Que anseias?
- Tu sabes tratar-se, certamente, da mesma querela primeva, cavaleiro negro.

A Lua suspirou, olhando para o chão.

- E dos mesmos nomes.
- Desejava que o encontro permanecesse puro e intocado, mesmo a antiga etiqueta.

O vento do norte soprou mais uma vez. O Sol continuou, sorrindo e andando pelo parapeito.

- A primeira disputa foi, inesperadamente ... interrompida.
- O cavaleiro branco interviu, sim.

O dia rendia-se à noite, mas Dia não levantava-se de sua cadeira: observava, nada mais faria, aqueles dois brigando por momentos dentro dos corações dos homens. O crepúsculo afundava no horizonte.

ai, ai

essa noite pós-chuva: silenciosamente fria.

5.5.07

andando e olhando

Hoje eu vi um fusca rosa cheio de mulher, ó.

24.4.07

no espírito de diarizar o blog

Acabaram-se (quase) as torturas acadêmicas desta minha vida: falta apenas a professora (que tem os braços mais claros do que o rosto) de Estilística mandar a minha dupla refazer o trabalho (como da última vez).

Esta que corre é a última semana do semestre (que deveria ter terminado ano passado: o semestre, não a semana), e vai-se esvaindo modorrenta e agonizante: o envelhecido Centro de Humanidades da UECE não agüenta mais ninguém pesando naquelas paredes descoloridas, principalmente o povo de Letras, que por algum (inexplicável) motivo, é sempre o último a sair.

***

A vida vai bem, obrigado: faltei o psicólogo semana passada por dormir demais; passei em todas as cadeiras so far; arranjei briga com o bar em frente do qual eu me encontrava, semana passada (que bobada, caio!) e coisas interessantes happened (you know what I mean, babies...)

***

Comecei o Madame Bovary hoje, porque me dei conta de que tem livros que todo mundo analisa na porra do meu curso, e, das duas, uma: ou eu cometo suicídio intelectual ou renuncio à minha liberdade - pouco utilizada, verdade (que vergonha, caio!) - leiturística.

Pois bem, que seja: a book is a book.

***

Hugs and kisses,'cause the world is not beautiful.

22.4.07

Nesse mundo só tem mito, símbolo. E gente, que é preu não ficar sozinho.

14.4.07


The Sun Machine is coming down
and we're gonna have a party:
Oh, oh, oh.

10.4.07

caio, novamente e again outra vez

Com a licença sua,

Pensei numa palavra e me veio rimbobar. Devo ser o mesmo que trovejar, fazer barulho, muito e grande.

Agora aos meus sentimentos, criptologicamente expressos, que tem de haver o mínino de boniteza para que as palavras comecem em catarse, e terminem em outra coisa, não-minha e, de preferência, longe de mim.

Principío minhas lamúrias falando que não sei responder quando me perguntam e aí? como está? Não me há observação de mim mesmo e o pronome oblíquo faz-se presente, roubando a abertura; não me olho, em busca de algo que esteja, para ser contado; não faço isso, não sei por quê. Não acho difícil falar de mim, mas responder a dita cuja parece algo tão longíquo de onde me concentro - ou encontro - encontro implica convergência, unidade: e o que há neste corpo de tão inexorável e involuntário que não me deixa a sós comigo mesmo? Prossigo, em primeira pessoa.

Há os trabalhos de faculdade. Não desejo fazê-los, já disse. Me estressam, crio aftas, me canso, faço coisas deste tipo, coisas que não gosto de fazer: esse tipo de coisa que não gosto de fazer é para isso que tenho o psicólogo. Não me agradam trabalhos de faculdade, ou provas, ou testes que me analisam. Não gosto de olhos em cima de mim. Só dos meus e dos dos meus.

Essa brincadeira dos tags é legal demais: é o resto disto daqui, sendo outra coisa.

Estou em busca da face perfeita: na verdade, faço minha barba toda semana, moldando, shaping trezentos e cincoenta caios diferentes.

O que me lembra que o Fernando Pessoa é o David Bowie da poesia.

Textos meus-meus são, assim, curtinhos, pois a catarse é envergonhada e não sai destilada.

Obrigado e volte sempre, que nem sempre é assim.

4.4.07

go go go

Conto de trê parágrafo.

aquela música dos beatles

Então, ao calendário das três próximas semanas:

1ª semana
09/04 - Entregar as fotos do projeto especial VII
10/04 - Prova de sintaxe
12/04 - Prova de alemão
13/04 - Entregar trabalho de literatura cearense

2ª semana
15/04 - Estréia da segunda temporada de Roma
17/04 - Seminário de psicologia evolutiva II
18/04 - Entregar o segundo trabalho de estilística
20/04 - Prova de literatura cearense

3ª semana
25/04 - Prova de recuperação de literatura cearense
28/04 - Aniversário da minha mamãe
30/04 - Apresentação do projeto especial VII