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25.2.08

There are books that one reads over and over again, books that become part of the furniture of one's mind and alter one's whole attitude to life, books that one dips into but never reads through, books that one reads at a single sitting and forgets a week later.

George Orwell, falando sobre livros e cigarros.

BUCK, Pearl S. A Grande Travessia.

Assim começa o livro:

É um dom peculiar do artista ser capaz de adentrar pelas outras pessoas, e isso se aplica, principalmente, aos romancistas. Eu e ele discutíramos esse dom muitas vezes, e ele sempre me perdoara quando eu me deixara absorver temporariamnte por outra pessoa que não ele. É uma estranha absorção essa, e eu não sei como descrevê-la senão comparando-a com o foco de interesse total, essencial ao cientista teórico. Tais cientistas são, por temperamento, artistas, e nós não podemos fugir ao que somos.


Desde a morte dele, eu não fora capaz de me deixar absorver por ninguém, até nesta tarde, quando, durante uma hora, o velho hábito voltara. Estava cheia de um novo ânimo, e quase esperançosa. Pelo menos, sentia-me aliviada, embora por pouco tempo, da tristeza em que havia tantas semanas estava mergulhada. Ri do fundo da minha alma e, durante uma hora, senti-me curada. Posso afiançar que cumpri meu programa para esta noite e me deitei a uma hora razoável, pela primeira vez em muitas semanas. Isso marcou o começo de uma nova etapa.

Apesar do sentimento de renovação ou alívio, que dificultaria a complicação posterior da história, parece início de romance, não? Contudo, está, na verdade, localizado na página 149 do livro.

Mas que parece, parece.

3.1.08

herman hesse

José Servo - creditado como João Servo na sinopse - é um menino alemão que vive no futuro das Escolas de Elite, da Província Pedagógica e da Ordem. Por mais apocalíptico que possa parecer, aqui não se tratam de esquemas governamentais ou tramas políticas; diferente das ficções futuristas de Philip K. Dick e Aldous Huxley, mas próxima das estórias coming-of-age típicas de Hesse, encontra-se aqui um jovem solitário, dedicado às questões do espírito e fascinado pelo tal Jogo dos Avelórios: a bola da vez da interdisciplinaridade.

Muito bom, como todo Hesse. Minha única reclamação é que o autor ainda não explicou como funciona o jogo. Nem parece que vai. Pity.